sexta-feira, 14 de maio de 2010

Amigos.

quantidade não é sinónimo de qualidade [repetir]. alguns que não estão comigo fazem-me tanta, mas tanta, falta. outros absolutamente nenhuma. e talvez seja necessário perdê-los para perceber [em detalhe] quais são.

sábado, 17 de abril de 2010

Sozinhos podemos chegar mais rápido, mas juntos vamos mais longe

Todos os momentos da nossa vida podem ser lições, sejam eles bons ou maus. E, sem dúvida, que há momentos que, pela intensidade com que são vividos, se tornam grandes lições de vida. Tal como o foi a Caminhada a Santiago de Compostela, organizada pela Academia do Porto.

Lembro-me de entrar nesta caminhada apenas por um motivo, já por si grandioso: a praxe. Contudo, agora, uma semana após a digestão de todos os sentimentos experienciados e (quase) curadas todas as mazelas de cinco duros dias, já não consigo dissociar-lhe outros motivos que me levarão a repetir esta caminhada, se a vida mo permitir.

Admito que toda esta caminhada foi uma luta interior, silenciosa, acompanhada de lágrimas e sorrisos e gargalhadas espontâneas. Dessa luta, sinto que cresci enquanto pessoa para os outros. Porque nesta caminhada é palpável a força interior de uns que contagia os outros, a resistência de cada um, ultrapassar limites pela companhia, a diferença entre as pessoas que acabam por formar um grupo que tem mais força que a soma das forças de cada um.

E, por isso, uma palavra de apreço (até poderia agradecer, se isso pudesse ter lugar em praxe) a todos aqueles que me acompanharam nesta caminhada terrena, de sítios de cortar a respiração, e de mudança.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

De amanhã a 12

Tudo na vida deve ser feito como se fosse durar para sempre. Se depois o eterno não for mais do que algo perene, a paciência terá sido uma nobre arte aprendida ao longo do caminho para a eternidade. Só querendo tornar algo resistente, forte, eterno, poremos todo o nosso empenho nessa tarefa e, se ela fracassar, saberemos que a fizemos o melhor que pudemos!

É na sombra deste pensamento que amanhã, com dois dos meus melhores amigos, num grupo de homens e mulheres, crentes e não crentes, pessoas ocupadas e outras nem tanto, com vida familiar exigente ou com disponibilidade, com caras conhecidas e desconhecidas, num total de trinta pessoas, vou enveredar num dos maiores desafios que aceitei: a caminhada até Santiago de Compostela. Não foi uma questão de fé, nem de amizade. É por algo maior que isso.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

De hoje, há cinco dias atrás

Passado. Ai. Seriedade. Brincadeira. Saudade. Lágrimas. Risos. Copos. Asneiras. Gargalhadas. Partilha. Momentos. Cigarros. Fotografias. Abraços. Estupidez. Atrevimento. Berros. Ousadia. Beijinhos. Rostos. Presente. Desconforto. Mimo. Sono. Sinceridade. Tristeza. Maturidade. Cansaço. Felicidade. Afectos. Amizade.

Voltar ali lembrar-me-ia de uma noite, há quatro anos atrás. E trazer-me-ia a certeza de que sim, estava a ir-se embora. Entender que chegou ao fim é complicado, especialmente se o sentimos tão próximo como se quase chegasse. O caminho encurta-se, a vida por um fio. Tudo volta ao início, estou sem coragem. A ousadia tornou-se anseio. As despedidas são sempre frias, não há forma de lhes trazer calor. Resta amenizar o inevitável.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Hoje, um miminho

Às três princesas.
São mais novas que eu três anos, quase quatro para algumas. Conheci-as apenas o ano passado, mas a cumplicidade chegou com uma naturalidade surpreendente, que nos levou juntas numa viagem das nossas vidas em apenas alguns meses.
Elas são amigas entre elas. E eu não sou a amiga do estudo. Eu não sou a amiga com quem elas discutem música nem cinema. Eu não tenho metade da cumplicidade com elas, que elas têm entre elas. Eu não tenho as zangas que elas têm entre elas com nenhuma delas. Mas eu sou uma coisa, a mais velha. A que dá mimo, conforto e sermões. A que dá boleia para casa. A que lhes tenta ensinar umas coisitas.
E, apesar das diferenças, somos amigas e cúmplices. Daquelas que partilham recordações de momentos, viagens e experiências novas. Que partillham dúvidas e alegrias. Que juntam a felicidade de cada uma – eu sei que são felizes, e eu sou feliz! – à das outras, aumentando-a por três, seis, nove e doze. Por isso, princesas pequeninas, que as coisas têm de ser ditas enquanto é tempo, obrigada por serem assim!


Adele - Make You Feel My Love

Enfermeiros, bem hajam!


Oito da manhã, para alguns podia ser quase um madrugar. Para nós, apenas a hora de início do turno da manhã. Mas, naquele dia, ninguém ia para o hospital. A expectativa era grande, mas a certeza que, desta vez, estávamos unidos acalmava os ânimos. Mas nada podia prever o cenário que encontrámos perante os nossos olhos depois de 300 quilómetros de viagem. Vinte mil batas brancas unidas por uma causa, num passo junto e ritmado, num conjunto de vozes que se fizeram ouvir durante mais de duas horas. E na avenida reparei: o princípio e o final da nossa luta eram mais longe do que os meus olhos podiam alcançar. Regressámos ao Porto com um sorriso na cara, o sentido de dever cumprido, da certeza de que, mais do que nunca, estamos unidos, de que vivemos um momento histórico para a nossa profissão e de não vamos desistir de lutar por aquilo que é nosso por direito. A vontade continua e a certeza de que merecemos mais também. Parabéns Enfermeiros!