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sexta-feira, 29 de março de 2013

Um ano depois



29 de Marco de 2012 foi um dia mau. Acordei cedo de uma noite sem dormir e tinha no meu peito o peso maior que já senti. Despedi-me com abraços prolongados das ultimas pessoas e continuei a correnteza de lágrimas que os últimos dias já tinham assistido. Sentia-me uma prisioneira da vida, acorrentada a uma decisão inevitável que gostava de não ser obrigada a tomar. Sentia que me tinham roubado as opções de ser feliz, privado da companhia daqueles que mais gostava. Foi, sem duvida, um dos piores dias da minha vida. E as semanas seguintes não foram melhores, nunca são. E' muito difícil quando o coração puxa numa direcção e a cabeça na outra. Lutei comigo própria, com os outros, mas chegou um momento em que me cansei de tanta luta e finalmente desembaracei-me de medos e desencantos, deixando-me levar pela vida.  Nesse momento, tudo mudou, ainda estava eu tão longe de saber que aquele era só mais um começo  mais um reinventar-se, o primeiro dia do resto da minha vida. 

E neste ano que passou aprendi que a mudança só e' assustadora antes de se cumprir. E que mudar faz-nos crescer tanto. Aprendi muito, cresci não só como profissional mas também como pessoa. Tenho um emprego que gosto e onde me sinto apreciada pelos meus colegas, um sitio onde sinto que faço a diferença  Conquistei uma independência que iria demorar anos - será que o conseguiria algum dia? - em Portugal. Conheci gente nova e maravilhosa. Apaixonei-me por lugares e pessoas, vivi grandes momentos. Ganhei uma nova família aqui e sinto-me feliz e realizada. Aprendi que as vezes temos de arriscar para conseguir algo de bom.



Mas não se pense que foram só sorrisos e bons momentos. Mesmo que aqui se descubram novos amores e novas coisas que nos fazem francamente felizes, viver a muitos quilómetros daqueles que se ama não e' fácil, uma mão não lava a outra como se costuma dizer. Porque o amor `a distancia não e' para os fracos. E' preciso aprender a conviver connosco numa viagem solitária, com a saudade própria e com a saudade alheia. Esta continua a ser a parte mais difícil de viver longe, nas outras o coping e' eficaz, ainda que daqui tenha tirado grandes lições  Viver longe e' ser-se amigo do tempo. E saber que a contagem regressiva dos dias nos marca objectivos e nos da razoes para continuar. E' conhecer a alegria de cada reencontro e a tristeza de cada despedida. E' confiar que a distancia não muda a quantidade do sentimento, apenas a forma, convivendo pacificamente com viagens, esperas, filas de aeroporto, poupanças e pouca preguiça para empacotar a vida numa mala de mão e correr para aquele sitio que sempre chamaremos de casa.

Apesar disso, um ano depois, o balanço só pode ser positivo. E e' com esperança renovada que mais um começa  porque sei que, ainda que com grande risco, entre decisões instintivas e outras melhor pensadas, a vida tem reservada para mim maiores e melhores surpresas.

terça-feira, 19 de março de 2013

Do meu pai

Hoje e' um dia difícil por estes lados, e' o dia do Pai e eu estou a 2000 quilómetros do meu, longe pela primeira vez desde que eu sou sua filha e o meu pai e' meu pai. Logo haverá sessão no skype, como todos os dias, com direito a entrega de presente - como a minha mãe tão religiosamente prometeu entregar. Mas nada poderá pagar o preço da ausência de um abraço e de um beijinho de parabéns pai, gosto muito de ti. 
E' isso que e' este novo posto no seu essencial. O deixar escrito tudo aquilo que se gostaria de dizer olho no olho, talvez de braço dado ate'. Para que se possa ler hoje e reler amanha, quando um abraço for o mais essencial ou quando a saudade bater `a porta do coração.  



Pai, dizem que as tragédias da vida nos mostram o quão importantes são coisas que sempre demos como certas. E embora longe de considerar a minha vinda para Inglaterra uma tragédia - bem pelo contrario - foi só quando vim que me apercebi que tu, e a mãe  são ate ao momento as pessoas que mais marcaram a minha vida. Por isso, tanto te devo e tanto te tenho a agradecer. 

Obrigada por seres o pai que és. 
Estiveste sempre para mim em todos os momentos, e isso e' algo de que me conforta, pois sei que nunca estarei sozinha enquanto ai estiveres. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras e as fotos não nos mentem. Estavas la quando nasci e entrei na tua vida, de uma forma tão marcada que hoje te faz dizer que o teu dia do pai e' aquele em que o foste efectivamente, esse sim e' o dia mais importante da tua vida de pai. Estavas la enquanto crescia, acompanhando-me nas minhas brincadeiras de menina pequena a fazer de mãezinha ou de professora e incentivando-me a aprender, a ser cada dia melhor (desculpa pelas colecções de livros que destruí nesse caminho de aprendizagem!). Ensinaste-me a andar de bicicleta e anos mais tarde a conduzir. Ensinaste-me que o azul e' a melhor cor do mundo e que e' saudável sermos apaixonados por alguma coisa na vida. Ensinaste-me a ser correcta, honesta e trabalhadora, através do teu exemplo. Explicaste-me que o respeito e' o melhor sentimento do mundo e que os momentos em que estamos com aqueles que amamos o que levamos da vida. Estavas la quando concorri `a faculdade e aceitaste a escolha que fiz, apesar de não concordares com ela. E passados quatro anos estavas la quando acabei o meu curso, com um orgulho desmedido a transbordar por todos os teus poros. E foste comigo entregar currículos  limpaste-me as lágrimas nas primeiras desilusões da vida de adulta, tentaste proteger-me das agruras dos tempos que correm mas, quando disse que para mim aquele era o fim da linha, apoiaste-me numa das decisões mais difíceis da minha vida e foi essa forca que me ajudou a ser feliz agora, aqui. Continuas comigo sempre, mesmo que a distancia geográfica nos separe, ainda que por períodos de tempo relativamente curtos. Tenho-te, a ti, `as tuas opiniões e aos sonhos que ainda guardas para mim, na minha maior consideração  e ainda hoje tudo o que esta mulher já feita, independente e crescida, quer e' agradar o seu paizinho.

Estas longe de mim, mas trago-te comigo pertinho do coração e jamais te esqueço  Sinto muito a tua falta no meu dia-a-dia. Um beijinho muito grande. Gosto muito de ti. 

Da tua filha Andreia.

(vemo-nos logo no skype)

[raio de teclado inglês que não me deixa por acentos nas palavras, valhai-me a correcção ortográfica portanto]

sábado, 2 de junho de 2012

Do país que me conquistou em três segundo

Esqueçamos Portugal pelo tempo suficiente para terminar de ler o próximo parágrafo.

O meu país de eleição é Inglaterra. Cheguei, vi-o e conquistou-me, tal e qual como um amor à primeira vista. Não lhe consigo fechar o coração, dizer que não gosto. Inglaterra é um óptimo país para se começar uma vida. As pessoas são liberais, apaixonadas e as amizades melting pot que se começam a fazer são deliciosas. Aqui pode-se acreditar nos sonhos, podemos ser quem quisermos, confiar nas gentes. Há leis, há castigos, há erros mas também há o poder da redenção. Há uma auto-estima notável e um amor próprio pelos seus e pelo que é seu de fazer inveja, ainda que esteja de coração aberto à novidade e ao que é diferente. Inglaterra é um grande país, é o meu país real para viver e vejo-me aqui (pelo menos) nos próximos anos, ainda que possa viver aqui lifetime long e ser feliz.


Mas Portugal é aquele que tem o meu coração. Porque é feito de abraços, reencontros, carinhos, tempo e alegria permanente. Onde não penso no trabalho, nem na casa para arrumar. Onde não há domingos à noite nem segundas-feiras. Onde o dia-a-dia não tira a magia às coisas. De onde sinto saudades todos os dias que passo no meu país real. 

Dos dois meses

Já se completaram os dois primeiros meses desde que vim para Londres. Que comecei a trabalhar aqui, que alarguei horizontes, ganhei novos amigos e uma vida completamente diferente. Já ganhei dois salários, daqueles de encher a alma. A casa que antes não era a minha agora já me parece familiar e acolhedora - ainda que estejamos a planear uma mudança para 'nossa' casa. Sinto-me mais crescida, melhor, mais eficiente e competente no meu trabalho. Sei mil vezes mais sobre cardiologia do que há dois meses atrás. Falo inglês todos os dias e elogiam-me a pronúncia. Cresci imenso, em todos os lados da minha vida. 

Hoje valorizo mais quem sou, quem está comigo. Dou mais importância às saudades, à família e aos amigos., mas também tenho a plena consciência de que tudo o que sonho está ao alcance da minha vontade. Se emigrar  para muitos é a réstia de esperança, para mim, como me disse ontem uma grande amiga, 'foi a melhor coisa que fizeste na tua vida'.

(um sunny sunday no Hyde Park)



terça-feira, 22 de maio de 2012

Dos dias em Portugal

Resumindo tudo numa conclusão simples: se algum dia tiver uma filha que seja igual a mim, vou arranjar uma carga de trabalhos. Ou então interno-a num colégio de freiras e está tudo arrumado.

domingo, 8 de abril de 2012

Da Páscoa

Este ano é diferente. É igualmente a primeira de muitas das datas em que não estarei presente junto de mais um momento em família. E isto começa a maçar, a ideia de que a mudança é definitiva, que falharei as próximas Páscoas, os próximos Natais, os aniversários daqueles que me são mais queridos. E a certeza de que muitos desses momentos serão partilhados com desconhecidos que se tornarão quase uma família. 

Hoje é manhã de domingo de Páscoa. Aqui não há sol, nem cheiro a pão-de-ló, nem queijo da Serra, nem amêndoas. Não se ouvem foguetes, o compasso não toca o seu sino e as gentes ainda dormem. Há cheiro a rolo de carne assado, bolo de chocolate e pudim de croissant, para lembrarmos um pouco os cheiros familiares. Haverá uma garrafa de vinho maduro aberta sobre a mesa, sorrisos e partilha. Mas nada disso invalida o conforto de estar com aqueles que amamos.

Hoje o dia não será fácil. Mas é um dos revés que tenho de enfrentar para tentar ser feliz!

Um beijinho para todos, cheio de carinho. Boa Páscoa!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carta aberta do Sr. Primeiro Ministro

Exmo. Sr. Primeiro Ministro Passos Coelho e, já agora, Exmo. Sr. Secretário de Estado do Desporto e da Juventude Alexandre Mestre,

Ou outros tantos nomes conhecidos da nossa praça pública a quem pode ser endereçada esta humilde carta aberta.

Começo por apresentar-me, tal como me diz a boa-educação que os meus pais sempre me incutiram. O meu nome é Andreia Soares, tenho vinte e três anos e nasci em Gondomar, perto do Porto. Sou filha única de uma família de classe média - daquelas que trabalham arduamente, pagam as suas contas, poupam dinheiro durante o ano para uma extravagância e que hoje os senhores teimam em dizimar com impostos -, filha de pais trabalhadores em que tudo o que conseguiram na vida foi fruto de muitas horas de trabalho árduo, daquele que massacra o corpo e cansa a alma. Certamente, não saberão do que estou eu para aqui a falar.

Na escola, sempre fui boa aluna e correspondi às expectativas que todos iam criando para mim. Conclui o ensino secundário com uma média de 18,1 valores e, em Setembro de 2006, então com dezassete anos, entrei na Escola Superior de Enfermagem do Porto com uma média de 17,9 valores, tendo como específicas Biologia e Química. Escolhi o meu curso de forma consciente: para além de ser aquele que mais me entusiasmava, li estudos acerca da sua importância no futuro, sustentados em argumentos como a demografia da população portuguesa, o drama do envelhecimento e as questões da morbilidade aumentada, da dotação dos hospitais e dos serviços de saúde bem como da necessidade de cuidados. Falei com enfermeiros, procurei saber qual o melhor curriculum escolar e fiz a minha escolha, ciente de que foi acertada.

Terminei o meu curso em Julho de 2010, com média de dezasseis valores. Apesar de tudo, aproveitei bem os meus anos de estudante. Contrabalançando tudo, consegui ser boémia e responsável ao mesmo tempo: sai, namorei, vivi, cometi excessos mas acabei o curso no tempo previsto, com boas notas, sem nunca ter deixado uma cadeira para trás, num CLE onde apenas três alunos conseguiram uma média melhor que a minha. Afinal estudar era a minha profissão e não podia falhar perante uns pais que me ofereceram esta oportunidade sem exigirem mais do que empenho e competência.

Uns meses depois de ter terminado o curso, conquistei o meu primeiro emprego. Precário, como quase todos os que são oferecidos por estes dias. Mal pago, mas exigente. Trabalhei e dei tudo de mim, mas nada disso me valeu o prolongamento do vínculo profissional. Não me rendi, continuei a procurar e, enquanto não   recebia nenhuma resposta positiva na minha área, trabalhei como operadora de call-center. Não baixei os braços, não me envergonhei e continuei a trabalhar no que ia aparecendo e a poupar o máximo que conseguia. Um tempo depois, após entregar tantos currículos que lhes perdi a conta e receber meia dúzia de respostas, sempre negativas, consegui um novo emprego na minha área. Desta vez, a proposta era melhorzinha, mas as perspectivas as mesmas: um emprego rotineiro, que não me permitia crescer, em que tinha de seguir regras que sabia profundamente erradas e dizer sempre que sim sob pena que a porta fosse a serventia da casa.

Pelo meio, paguei do mesmo bolso congressos, seminários e formações, o CAP, workshops ou tudo aquilo que me parecesse ter interesse ou utilidade. Participei num projecto de investigação na faculdade, onde eu e outra colega minha, licenciada no mesmo ano, éramos as únicas sem remuneração. Guardei para depois o sonho de uma pós-graduação em cuidados paliativos não fosse o diabo tecê-las, o emprego ir pelo cano abaixo e deixar eu os meus pais a braços com uma prestação referente à minha educação.

Ainda assim, sinto-me grata pelas experiências que tive e pelas oportunidades que me deram e que abandonei recentemente, cansada e frustrada, em troca de outra proposta mais aliciante. Uma proposta fantástica, que me dará condições para evoluir, que me permitirá a tão desejada independência financeira mas que me pede em troca o coração e a pátria. Inicio dia 29 de Março de 2012 funções como enfermeira no Whipps Cross University Hospital em Stratford, Londres.

Não pensem Sr. Ministro e Sr. Secretário de Estado que emigrar é um processo tão fácil e leviano como as palavras que saíram das vossas bocas quando mandaram os jovens emigrar, muito pelo contrário. Ainda que façamos de conta que não existe penosidade mental e emocional num processo de emigração, ainda não podia sequer candidatar-me a um emprego quando já tinha gasto grande parte do dinheiro que tão custosamente tinha amealhado. Entre documentos, traduções, certificações, fotocópias, notários, CTT e inscrição na Nursing and Midwifery Council foram-se mais de quinhentos euros. Depois, as exigências burocráticas, algumas incompreensíveis entre dois países da UE, como o passaporte, pagos a peso de ouro. E tudo isto é um processo solitário, demasiadamente até para quem possua fracos recursos.
E não se pense que termina por aqui. Depois da entrevista, da proposta e do contrato assinado, sobram as despesas da viagem, do alojamento, da alimentação, de um mês inteiro num país estrangeiro, a contar com a ajuda de familiares esforçados, à espera da tão ansiada independência financeira. Tantas vezes pensei o quão sortuda sou por ter uma família que, ainda que com algum custo, me pode apoiar e ajudar a procurar uma vida melhor, já que, nestas condições, sem ninguém que os ajude e apoie, muitos não o poderão fazer.


Senhor Primeiro-Ministro e Senhor Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, acabo aqui a minha resenha pessoal. Aos vinte e três anos, na expectativa de ter uma vida melhor, de conseguir exercer a actividade profissional para a qual fui treinada, cansada de lutar contra a maré, contra um regime corrupto e a cair de velho, vou-me embora, na certeza de que, por muito que o meu coração o peça, dificilmente voltarei para o meu país. Um país que apoia compadrios, sustenta os corruptos e maltrata os seus melhores, tratando-os como leprosos que têm de ser afastados. Talvez tudo tivesse sido mais fácil se ainda pequena me tivesse inscrito numa qualquer juventude, formatada ao som de uma doutrina podre e que leva invariavelmente ao mesmo caminho. Talvez fosse fácil se tivesse pais ricos ou uma cunha jeitosa. Talvez assim Portugal fosse a minha zona de conforto.

Mas não é nada assim. Sinto-me escorraçada do meu país, tratada como excedente, como alguém que não vale a pena. Sou forçada a abandonar o sítio onde cresci, a pôr em espera as amizades que fui criando e a partir, amputada de parte da minha vida e de todas as referências que criei. Vou triste e até um pouco amargurada, mas sei esses sentimentos serão vento de pouca dura quando vir reconhecido o meu trabalho. Portugal apenas poderá contar comigo nas férias e para renovar documentos. Quando eu tiver condições, os meus pais se reformarem e se o quiserem, farei questão de os levar comigo para viverem lá. Para com Portugal não terei nenhuma misericórdia e não contribuirei com mais um cêntimo sequer para este país acorrentado a uma classe política incompetente e inútil, que assiste impávido e sereno à sangria dos seus jovens e que quer levantar-se apoiado nas mesmas muletas que o fizeram cair e partir as duas pernas.

Obrigada Sr. Passos Coelho. Obrigada Sr. Secretário de Estado. Obrigada a quase três gerações de políticos que em cerca de trinta anos fizeram de Portugal um país sem futuro. Certamente que sair enquanto é tempo é a solução mais acertada e, por isso agradeço os vossos conselhos. Por muito que eu viva, fica a certeza de que não serão esquecidos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Definitivo.

Desde que aceitei a proposta de trabalho que me foi feita por um hospital londrino de renome que sabia que ia chegar o dia em que deixaria a minha casa, a minha família, os meus amigos, o sítio onde nasci e cresci e partiria para uma nova aventura, a maior de sempre, a mais difícil, a mais corajosa, mas também também provavelmente a mais compensadora de todas.
Contudo, ainda estava o mês de Janeiro quase no início quando assinei o papel que mudaria a minha vida. Começaram então os primeiros preparativos: a documentação, a papelada, o contrato, a mala. E a minha cabeça divagava entre esses assuntos sem ter tomado consciência da seriedade do assunto. 

Hoje foi o dia definitivo, aquele em que por muitas indecisões, por muitas dúvidas, já não há volta atrás. A inscrição na NMC está concluída, o voo está marcado, a offer job letter assinada e menos de duas semanas para se cumprir mais uma etapa do destino: Londres.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Do meu primeiro Natal de adulta

Começou uma semana antes do Natal. Este ano, tive direito a horas infinitas na procura do presente ideal para aquela mão cheia de pessoas que o merece, ao dinheiro do meu primeiro subsídio (cortado a metade, quase) a desaparecer da carteira a uma velocidade alucinante, a dores nas pernas e a falta de espírito natalícia das compras.

Depois, sexta e sábado. Fiz rabanadas, aletria, pudim Abade de Priscos, bolo de cenoura com cobertura de chocolate, bolo e tarte de abóbora, queques de courgette e chocolate, um tiramisu para sobremesa e ainda ajudei o pai a fazer o Bolo Rei. A mãe precisou da minha mãozinha na confecção das entradas e no assado para domingo. Os cabazes de Natal para oferecer também não se iam embrulhar sozinhos. Já em casa dos avós, havia a mesa para pôr e outras tantas coisas de última hora para fazer. Bateram as doze badaladas e eu estava estoirada, doíam-me as costas e queria a minha cama. Resisti e fiquei mais um pouco à mesa, a jogar uns jogos, em cantorias e conversetas. O domingo foi mais tranquilo, na ressaca da trabalheira toda dos dias anteriores.

Pela primeira vez, o Natal não foram só risos, presentes, jogos, família, música, comidinha pronta e cheirinho a doce. Pela primeira vez, percebi que para o meu Natal ser como era, as mulheres da família (e os homens, às vezes) trabalhavam que se fartavam. Mas pela primeira vez senti o quão caloroso pode ser um sorriso de isto está tão bom, nham ou o quão bom é comprar um presente que sabemos que aquele alguém vai efectivamente gostar. 

Foi assim o meu primeiro Natal de adulta.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Liberdade

Há mais de quarenta anos, para ser precisa há quarenta e dois anos, Portugal vivia mergulhado num regime fascista. A insatisfação era geral e, inspirados por ventos franceses, a academia, os seus docentes e os seus alunos começavam a demonstrar alguns desconforto. A falta de liberdade, de valores, a pobreza gritante do país e a podridão de espírito trazida pela guerra nas colónias eram assuntos que ocupavam o pensamento daqueles que usavam capa e batina.
Até que em Abril de 69, Alberto Martins, presidente da Associação Académica de Coimbra pede a palavra ao presidente Américo Tomás: "Posso usar da palavra?", pedido que lhe foi negado, tendo sido preso no dia seguinte. Acendeu-se assim o rastilho de uma das maiores manifestações de indignação e de repressão, que apenas serviram para reforçar a unidade estudantil.

Quarenta anos passaram e tanto mudou. Por aqueles que lutaram na altura, agora temos direito à palavra, à indignação, ao conhecimento e à liberdade. Tomámos como nossos os seus hinos, até sabemos entoá-los. Temos orgulho em ser a geração com  mais conhecimentos, com mais formação.Na realidade, seremos a primeira geração a viver pior do que os pais, a geração dos quinhentos euros, da precariedade, da emigração e do futuro adiado. 

Mas em nós falta a coragem para lutar. Falta a coragem para de capa e batina pormos em causa a vida confortável que ainda levamos e sairmos do marasmo em que vivemos, eternamente ludibriados pelo ideal capitalista, que tudo promete e nada dá. Passados quarenta anos, é altura de lutarmos com as mesmas armas, com orgulho no nosso passado e fazendo da nossa capa negra um hino de liberdade.




domingo, 1 de maio de 2011

Nem gregos nem troianos

Percebe uma coisa de uma vez por todas, não vais conseguir agradar a todos.

De um lado, estarão aqueles que te criticarão o ser, desprezarão o intelecto, troçarão do sentido de humor, acharão tua pertença todos os defeitos dos homens. Desse lado, os mesmos apontarão o dedo em riste aos teus erros e afiarão a língua inflamada de ofensas e intrigas contra ti, como flechas cravadas na carne pela força das palavras. Do mesmo lado da barricada, outros assobiarão para o lado, ignorar-te-ão, achando-te desinteressante e vazia, pensando que o seu tempo é curto e precioso para ser gasto contigo.

Do outro lado, adorar-te-ão em forma de quase culto. Abanarão a cabeça em sinal de concordância, elogiar-te-ão a esperteza, o intelecto, o ser e as habilidades que concentras em ti. Jamais seguirão um caminho diferente do teu, defender-te-ão com unhas e dente, mesmo que isso lhes custe a credibilidade e o bom-nome.

Depois, há aqueles no caminho entre o oito e o oitenta. Que nuns dias te acharão disparatada, mas noutros afirmarão em pleno que a certeza está do teu lado. Que hoje não estão com a mínima paciência para a tua conversa que lhes parece insípida, mas amanhã chorarão às gargalhadas com o que contas. São aqueles que, no dia mais negro, conseguirão lembrar-se da tua humanidade, aceitando a estupidez. Porque para esses, és como és, nem sempre boa, nem sempre má.

És apenas tu, e ainda assim eles gostam de ti.

[post agendado]

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dos desafios superados

O meu maior desafio sempre foi perdoar-me, saber que errar é o primeiro passo do crescimento e que todos temos direito a cometer na vida o nosso quinhão de asneiradas sem que venha mal ao mundo por isso mesmo. Pior ainda quando já não é a primeira vez que meto o pé na poça. Ou então quando alguém repara nas minhas falhas. Gosto de ser perfeita, ou pelo menos tentar sê-lo convivendo em paz com a inevitabilidade de que nunca o serei aos meus olhos nem aos dos outros. E era no remoer de mágoas e arrependimentos que perdia a minha paz, a minha tranquilidade e muitas vezes a minha alegria.

Mas, é então que o tempo, bom e eterno companheiro, chega para me ensinar uma lição de vida preciosa. Não te leves demasiado a sério, foi o que aprendi, por noites em os ressentimentos afugentavam o descanso, os dias passavam mergulhados no cansaço da culpa e o meu pensamento existia em ruminação do meu próprio erro.

O instante do erro apenas necessita de outro instante para ser reflectido, considerado, aprendido e remediado. Depois disso, a vida continua porque os pecadores e os mártires não existem. São apenas rótulos que aqueles que ainda não admitem que são apenas humanos colocam a si próprios.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Inevitabilidade do destino

Costuma dizer-se que o destino é coisa que não se pode mudar, está escrito algures quando nascemos e ninguém consegue alterar a ordem natural estabelecida pelo Universo para cada um de nós. É uma coisa inevitável, tal como parecia ser a inevitabilidade da eliminação da Taça de Portugal, augurada pela derrota por 2 a 0 do FC Porto, na sua própria casa.

Afinal, ontem percebi que há forças maiores que o destino. A vontade, a garra, a força, o desejo, a motivação, o querer, a perseverança, a crença, o ser que faz um campeão. Parabéns (meu) FC Porto!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ser contra tudo e mais alguma coisa...


... daqueles a quem parece que toda a gente lhes deve e ninguém lhes paga, deve ser, com certeza, o novo preto e ainda ninguém me tinha dito nada. Estou demodé!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tristeza e escrita não rimam

Mais uma chapada. Mais um não. Mais um obrigado, mas não é o que precisamos no momento. Mais um, numa enxurrada de nãos tão desmotivadores. Do inconformismo que vivo, não sei que mais fazer sem que tenha de abdicar de mim, da minha integridade, da minha moral porque os meus sonhos e as minhas ambições já estão bem arrumadinhos, embrulhados numa fita dourada, à espera de um dia mais solarengo, talvez um dia. São tantas as portas que se fecham à minha frente que começo a duvidar se haverá futuro, para mim, para nós. Para a semana, há mais uma tentativa, quase vazia de esperanças. Ai, estou cansada. Mas, felizmente, não me faltam braços onde descansar antes de mais uma batalha.

[não gosto nada de escrever quando estou triste, em nome de alguma qualidade literária. mas sabe bem à alma, e por isso escrevo]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tarde demais

Quando penso no que somos agora, invade-me um sentimento que me é difícil reconhecer, tão poucas foram as vezes que o senti. Não é ressentimento, não é mágoa, não é melancolia. Poderá ser pena por sermos assim agora quando antes fomos tão diferentes, esse meu monstro papão que me enfurece num minuto enquanto no outro me entristece até às lágrimas. Para meu bem, dura apenas esse dois minutos, porque depois sorrio, tranquila, porque sei que foi bom enquanto durou mas nada se pode aproveitar do que ainda sobrou.

O que somos agora é apenas a sombra ténue e cada vez mais desvanecida do que já fomos. É como se o sol se pusesse devagar e a escuridão, cada vez mais negra e cerrada, se concentrasse, até um dia em que não conseguimos ver quem está ao nosso lado. E isso é uma pena.

Porque a vida já me ensinou que quando a luz volta a deixar ver tudo aquilo que o negro ocultou é quase sempre tarde demais.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Este Natal irrita-me a beleza!

Honestamente, cada vez gosto menos do Natal. Basta uma visita despreocupada e desatenta pela Internet para nos darmos de caras com listas infindáveis de pedidos, como se o Pai Natal existisse e todos os desejos se cumprissem. Basta sair a rua e vemos uma azáfama inacreditável de sacos e pessoas e prendas, principalmente se tivermos em conta que o próximo ano, já à porta, não promete ser favorável. Basta ver que em todo aparecem peditórios ou pedidos de dinheiro 'quer arredondar?'. E cada vez gosto menos do Natal.

Porque o Natal não se resume a uma lista infindável de presentes. O Natal não é apenas dar um mimo àqueles que gostamos mas que, se calhar, já têm tanto. O Natal não é gastar tudo, como se não houvesse amanhã ou o amanhão não se importasse, 'logo se vê', como me disse alguém hoje. O Natal não é altura de dar se durante todos os outros meses do ano fechámos os olhos a quem precisa e nos estende a mão.

Este Natal, para mim, quero um emprego, daqueles que me encha a medidas. Se me encher os bolsos, melhor ainda. Mas o que queria mesmo era sentir-me realizada naquilo que faço, útil, enfermeira. Se ainda assim, na febre consumista que invade toda a gente, quiserem oferecer-me qualquer coisa, podem dar aqui.


Isto é o Natal. Não é a toa que se diz, 'Natal é quando um Homem quiser'.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Life sucks sometimes.

Há semanas, meses talvez, que estou à espera do telefonema ou e-mail capaz de me mudar a vida. E ele teima em não chegar, já quase perdi as esperanças e ando assim, em modo bambi, choramingas e deprimida. Aliás, neste Natal, quero o presente mais improvável, por isso sei que vou ter um Natal muito infeliz.

Life really sucks sometimes.